domingo, 16 de setembro de 2012

ALUNOS DA ESCOLA TIBÚRCIO VALERIANO PARTICIPAM DA IV OLIMPÍADA NACIONAL DE HISTÓRIA




Textos elaborados pelos alunos participantes:


A Resistência Quilombola: Quilombo dos Palmares
Ani Alice, 8º “B”
Gerson Dantas, 9º, “A”
Valter Nogueira, 8º “A”
Desde a colonização do Brasil os negros sempre foram oprimidos, escravizados pelos brancos, aqueles eram vistos como uma mercadoria, comprados pelos senhores para trabalhar em suas fazendas. A escravidão no Brasil era vista como uma instituição jurídico-social, ou seja, era um contrato visto legalmente e apoiado pela sociedade daquele tempo.
Diante da situação de exploração e de sofrimento em que vivia a comunidade africana no Brasil surgiram vários movimentos de resistência a escravidão. Uma das principais formas de resistência foram os Quilombos, os escravos fugiam do domínio dos senhores para formar comunidades livres.
No fim do século XVI os escravos começaram a fugir para os quilombos. Foi nesse período que, nos atuais estados de Alagoas e Pernambuco, deu-se início ao Quilombo dos Palmares, com sede na Serra da Barriga, considerado o maior foco de resistência a escravidão.
 Segundo os historiadores, o Quilombo dos Palmares teve início em 1630, porém alguns estudiosos discordam, afirmam que o Quilombo dos Palmares se iniciou bem antes, a partir de 1580 perdurou até o começo do século XVIII.
Nesse período todo, houve vários conflitos entre quilombolas e a sociedade colonial, que não aceitava a vida livre dos negros e queria a posse de suas terras. Durante a existência do Quilombo do Palmares houve vários líderes, os dois principais foram Ganga-Zumba (um líder negro que antecedeu a Zumbi) e Zumbi (o principal líder do Quilombo dos Palmares).
O que ocasionou tais conflitos foi a escravidão e os modos nos quais os negros eram submetidos aos maus tratos e às longas jornadas de trabalho, sem nenhuma condição digna de sobrevivência.
Por muitos anos os quilombolas conseguiram vencer as investidas dos colonos para destruir o quilombo. Sua tática de defesa foi “a guerra de mato”, que se baseava em ataques às expedições organizadas enquanto essas caminhavam pela floresta em direção aos mocambos. No ano de 1678 os quilombolas liderados por Ganga-Zumba, foram derrotados e obrigados a entrar em acordo com o governo de Pernambuco.
A partir deste momento o quilombo passou a ser liderado por Zumbi, já que precisavam de uma nova liderança que pudesse barrar as investidas dos colonos.  Zumbi se destacou como um grande líder quilombola.
No final do século XVII, depois de vinte dois dias de luta os quilombolas foram derrotados pelas tropas lideradas por Domingos Jorge Velho. No dia 20 de novembro de 1695 Zumbi foi morto. Hoje esse dia é considerado o Dia da Consciência Negra.
A destruição do Quilombo dos Palmares teve como consequência na sociedade alagoana o esquecimento dos atos feitos pelos quilombolas. Hoje em dia, poucas pessoas valorizam a cultura africana e seu legado.
O reflexo disto pode ser visto na presença negra no nosso estado, inclusive na própria cidade de União dos Palmares, cidade considerada o berço da liberdade, mas que, no entanto, renega a herança quilombola.
Nas escolas alagoanas pouco se fala desses acontecimentos e muitas vezes esta data importante passa em branco. Algo precisa ser feito para mudar esse pensamento e trazer de volta essa memória, para que seja celebrada de maneira que resgate a cultura africana.
 



Uma História de Preconceito: Quebra de Xangô
Laryssa Cristina, 9º “A”
Priscila Siqueira, 9º “B”
João Pedro, 8º “B”
Há cem anos, na cidade de Maceió, acontecia uma das maiores violências contra os terreiros de xangô.
Esse evento ocorreu na madrugada de 02 de fevereiro de 1912, mas o reflexo desse trágico episódio da história alagoana perdurou até meados dos anos 50, quando o governo de Arnon de Melo colocou um fim na perseguição aos terreiros.
Esse episódio ficou conhecido como Quebra de Xangô. Foi iniciado pela Liga dos Republicanos Combatentes, formada pelos veteranos de guerra e os políticos opositores ao governo da época.
Esse episódio da história alagoana foi causado pela intolerância religiosa que a população tinha pela cultura afrodescendente. Além de ser uma tentativa de depor o então governador Euclides Malta, por ser considerado defensor do xangô em Alagoas.
Os terreiros de xangô foram invadidos e depredados, em alguns foi ateado fogo. Foram espancados pais de santos e líderes dos cultos afros. Após este episódio uma parte dos líderes religiosos de Maceió fugiu para outros estados, como Bahia, Pernambuco e Sergipe. Os que ficaram foram proibidos de cultuar livremente, e assim surgiu o “Xangô Rezado Baixo”.
Durante os dias que aconteceu tal barbaridade, foram presenciadas cenas de espancamentos, humilhação e perseguição aos praticantes da religião.
 Antes do acontecimento o batuque nos terreiros podia ser ouvido em vários bairros da cidade, dando a entender que Maceió era a terra do xangô no início do século XX.
  Ao término deste movimento os praticantes desta religião ficaram dispersos, seu culto, marginalizado pela comunidade alagoana, já que o mesmo iniciou-se em Maceió e espalhou-se para o resto do estado de Alagoas.
                Hoje podemos sentir na sociedade o preconceito da população contra os praticantes, como: A presença constante de racismo contra os capoeiristas; o preconceito contra os praticantes de xangô, muitas vezes denominados como macumbeiros.
                Apesar de tantas informações que temos, e tantas campanhas contra o preconceito, ainda existem pessoas que não entendem e nem respeitam a cultura de cada um. Podemos também perceber que, ainda hoje, em nossa comunidade, há pouca presença desta cultura em nosso estado.
                A discriminação afetou nossos dias, inclusive em nossa cidade, Arapiraca, as pessoas quando veem ou ouvem falar da religião afrodescendente tratam-na, muitas vezes com risos ou desprezo.

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